

Anorgasmia
Bom, para falar sobre Anorgasmia primeiro temos que entender o que ela significa. O conceito básico de anorgasmia é ausência de orgasmo.
Muito bonito escrito na teoria, mas na prática como que isso funciona então? Existem mulheres que por causas sejam elas fisiológicas ou emocionais, não conseguem sentir orgasmo. Ou seja, não conseguem sentir prazer durante a relação sexual ou masturbação.
Esta é a disfunção mais freqüente relatada por mulheres em consultórios. E infelizmente, uma das que a pessoa demora mais para buscar ajuda. É possível passar uma vida inteira sem sentir orgasmos com o parceiro e mesmo assim manter o relacionamento sofrendo calada. Há mulheres ainda que nem sentem falta, simplesmente mantém relações esperando que acabe logo, procurando a próxima teia de aranha no teto, preparando o menu do dia seguinte, e outras idéias e pensamentos desnecessários na hora do sexo. Mas não é preciso ser dessa maneira.
Existem quatro tipos de classificações de anorgasmia:
1) Primária: são mulheres que nunca, em hipótese alguma desde suas primeiras experiências sexuais conseguiram alcançar o orgasmo. Nem com estimulação clitoriana e nem com penetração.
2) Secundária: em algum momento da vida, a mulher que sofre de anorgasmia secundária conseguiu sentir prazer, seja ele clitoriano ou através de relação sexual. Mas atualmente por alguma razão desconhecida não consegue mais atingi-lo.
3) Coital: é o tipo de anorgasmia em que a mulher consegue sentir orgasmo, mas apenas clitoriano, ou seja, com estimulação direta no clitóris. Porém, não consegue atingir o clímax sexual através da penetração.
4) Situacional: apenas em algumas situações específicas a mulher que possui anorgasmia situacional consegue sentir prazer. Ou seja, digamos que a mulher só consiga sentir prazer pendurada no teto. Pois bem, passa-se a ser considerada uma disfunção, a partir do momento em que essa mulher só consegue sentir prazer dessa forma, única e exclusivamente. E que em nenhuma outra tentativa de excitação ela consegue sentir o orgasmo. Claro que aqui, é importante saber a diferença entre uma relação ou outra onde a dificuldade vem depois daquele longo dia de trabalho, as clássicas dores de cabeça e outras situações onde realmente existe um componente a mais que interfere.
Existem alguns mitos que acho que devem ser esclarecidos para que você, mulher, consiga identificar se encaixa em alguma dessas classificações acima. Primeiro: não obrigatoriamente a mulher deve sentir orgasmo através do coito. Sim... eu sei que parece contraditório já que acabei de dizer acima que é considerado uma anorgasmia. Porém essa classificação foi feita há alguns anos, quando se acreditava que a mulher deveria por regra alcançar o orgasmo através do coito, esquecendo-se do clitóris.
Mas hoje essa idéia já está mudando, pois a partir do momento que a mulher consegue sentir prazer com estimulação clitoriana e se sente bem e satisfeita, ótimo! Agora, se a incomoda muito o fato de não conseguir alcançar o prazer através do coito a ponto de interferir no seu desempenho sexual, aí é outra história. O importante é que a pessoa seja qual for o caso, se sinta bem e feliz com a relação que tem.
Outro mito que acredito que deva ser esclarecido é a idéia de atingir o orgasmo juntamente com o parceiro. Se é possível? Sim! Mas para isso é necessário haver um entrosamento e sintonia entre o casal, um diálogo onde possam conversar abertamente sobre pontos eróticos, excitações e o momento em que está perto de atingir o orgasmo para que possam atingi-lo juntos. Deve haver intimidade e confiança suficiente entre ambos.
Outro ponto que eu gostaria de esclarecer em relação ao orgasmo, é a questão dos orgasmos múltiplos. Atualmente têm-se falado muito sobre mulheres super-poderosas que conseguem obter orgasmos múltiplos em uma só noite. Inclusive esse tem sido o objetivo de muitas mulheres quando saem para ter relações com outros homens.
Novamente... se é possível? Sim! Mas este não pode ser o único objetivo em uma relação. Para se obter orgasmos múltiplos, deve-se manter o nível de excitação que dentro da Sexologia chamamos de Platô. Isso exige que a mulher tenha um autoconhecimento a respeito de seu corpo sexualmente falando que poucas mulheres se permitem ter. Muitas mulheres que conseguem chegar ao orgasmo naturalmente estão achando que sofrem de alguma disfunção sexual por não conseguirem atingir múltiplos orgasmos. Se você mulher consegue chegar ao clímax, parabéns! Não supervalorize o orgasmo de forma a não conseguir atingi-lo e dessa maneira se sentir frustrada com você mesma.
Gostaria de esclarecer também outro fator importante para que se possa fazer uma análise se a mulher sofre de anorgasmia ou não. Existem casais onde ambos sofrem de uma disfunção, porém apenas um acredita ser o problema e busca ajuda. Em casos de anorgasmia, deve-se observar, por exemplo, se o marido ou parceiro sofre de ejaculação rápida. Por quê? Se o parceiro ejacula rapidamente, a mulher não tem tempo de sentir orgasmo. O tempo necessário para homens e mulheres atingirem o clímax varia muito, sendo comprovado através de estudos que o homem atinge o orgasmo mais rapidamente do que a mulher. Se o parceiro sofre de ejaculação rápida e a mulher não tem tempo de atingir o orgasmo em todas as relações, ela passa a acreditar que sofre de algum tipo de anorgasmia. É necessário fazer um levantamento completo da vida do casal com ajuda de um(a) profissional.
É importante saber que antes de considerar uma disfunção, seja ela qual for, deve-se eliminar a possibilidade de uma causa orgânica visitando sempre sua ginecologista. Existem outros fatores externos que também podem interferir em uma vida sexual satisfatória, por isso é importante primeiramente analisa-las por completo.

Vaginismo
Para quem não conhece, Vaginismo é uma disfunção sexual feminina que consiste em espasmos da musculatura do solo pélvico ou em casos mais graves, contração dos músculos da coxa. Opa... técnico demais. Mas vamos lá, vou explicar como isso funciona.
A mulher que é diagnosticada com Vaginismo possui uma dificuldade em permitir que haja penetração tanto de um pênis quanto até mesmo do dedo mindinho. Há casos onde até mesmo um exame ginecológico é impossível de ser realizado.
Mas como que isso acontece? No momento da tentativa de penetração, ocorre uma contração muito forte da região do períneo, ou seja, dos músculos responsáveis pelo movimento vaginal. Estes se contraem com tamanha intensidade que nem um fio de cabelo é possível passar, imagina então um pênis. São contrações involuntárias, onde a mulher não consegue controlá-las. Em alguns casos é possível observar também contrações na parte interna da coxa.
Assim como a Anorgasmia, o Vaginismo também pode ser:
1) Primário: nesses casos as contrações do períneo ocorrem desde a primeira tentativa de penetração. Em mulheres com vaginismo primário, costuma-se encontrar os hímens ainda intactos.
2) Secundário: mulheres com vaginismo secundário, gozavam de uma vida sexual ativa até que a partir de um certo momento começaram a aparecer essas contrações sem explicação. Podem vir em função de algum trauma ocorrido, de causa orgânica como dor na relação ou como forma de evitar o contato sexual onde inconscientemente a mulher passa a desenvolver tais contrações. É necessário pesquisar sobre a vida dessa mulher para saber o que aconteceu realmente. Cada caso é um caso!!!
Assim como em todas em disfunções, antes de começar a terapia sexual, deve-se procurar o(a) ginecologista para fazer exames necessários para que se tenha certeza de que não existe nenhum comprometimento orgânico. Assim podemos saber que algo acontece no emocional.

Dispareunia
Imagino que para quem lê essa palavra pela primeira vez deve ficar um tanto quanto assustado só esperando o que vem por ai. Muito bem... Dispareunia nada mais é do que dor na relação. Ou seja, dor durante o ato sexual. A Dispareunia pode se apresentar tanto em homens como mulheres.
O importante dessa disfunção é poder analisar realmente a causa desse desconforto. Existem vários diagnósticos possíveis para essa dor. Gosto de a todo o momento enfatizar a importância de se consultar um médico especialista antes de se procurar a Terapia Sexual. As mulheres devem buscar a ginecologia e os homens a urologia. Por quê?
Principalmente quando se trata de dispareunia é que se deve correr para um especialista. As causas mais comuns dessa disfunção são orgânicas, em ambos os sexos. Porém, não estou aqui para especificar cada bactéria, lesão dermatológica, lesão do pênis ou testículo, ou afecção do aparelho urinário. Essa não é minha praia. Mas estou aqui principalmente para informar que em casos de dor durante a relação, seja homem ou mulher, por favor, busquem imediatamente a ajuda de um especialista.
Agora, se você já procurou e foi constatado que não existe nada orgânico, que seu corpo está em perfeitas condições, aí sim é onde eu entro. Entre algumas das causas da dispareunia deve-se observar no caso das mulheres como está a lubrificação, se é suficiente para que haja penetração. Nem sempre a mulher que está “molhadinha” quer dizer que esteja pronta para ser penetrada.
O homem e a mulher possuem tempos diferentes de excitação. A lubrificação é uma das características que o corpo mostra que a mulher está excitada, porém é necessário perceber se esta lubrificação é suficiente para que um pênis escorregue sem causar dor ou desconforto para ambos, tanto o homem quanto a mulher. Existem também outras mudanças no corpo que indicam a excitação de uma mulher ou do homem, e que devem ser observadas na hora da relação sexual.
Outra causa da dispareunia que pode ser observada é a dor como forma de fuga do ato sexual. Seja por repulsa do parceiro(a), por baixa libido, por várias razões que devem ser levadas em consideração. Mas, como eu sempre digo cada caso é um caso! É importante procurar um especialista na área antes de chegar a qualquer conclusão sozinho(a). Para isso que existem Terapeutas Sexuais. E sempre deve ser feito um trabalho em conjunto com um(a) ginecologista ou urologista.

Inibição de Desejo
Hmmm... falar sobre Desejo Sexual sempre é um assunto interessante e muito procurado. Afinal, é graças ao desejo que o ser humano inicia uma relação sexual. Freud já falava sobre o desejo ou libido como pulsão de vida. Mas aqui estamos falando do desejo sexual como ponto de partida para o sexo.
Muito bem, o desejo é muito legal, faz parte do ser humano, mas e quando uma pessoa percebe que não sente mais libido? Para os sexólogos, essa diminuição é considerada uma Disfunção Sexual. Portanto, essa pessoa deve ter consciência que precisa da ajuda de um Terapeuta Sexual.
Algumas pessoas nesse momento devem estar se perguntando, mas como que uma pessoa é capaz de retomar o desejo? Será que isso não é nato de cada um?
Pois bem, é possível sim. A diminuição do desejo pode vir como resultado de alguns acontecimentos. Como sempre eu gosto de deixar claro: cada caso é um caso. É importante fazer um diagnóstico e um levantamento sobre a vida da pessoa, para saber o que realmente tem acontecido no nível emocional e ter causado essa disfunção.
Assim como todas as outras disfunções, deve-se primeiro descartar a possibilidade de uma causa orgânica, procure um(a) ginecologista ou urologista. Existem também fatores externos que podem causar essa diminuição do desejo como alguns remédios, drogas, entre outros. Por isso sempre gosto de enfatizar a importância do trabalho junto com outros profissionais.
A diminuição do desejo não atinge apenas as mulheres como a grande maioria pensa, também pode afetar os homens. Claro que é mais comum entre a população feminina devido a crenças e aprendizados que a sociedade impõe. Como assim? O homem desde pequeno foi ensinado que mulher é gostosa, que macho que é macho sempre está com seu pênis positivo operante (pronto para atacar). Desde muito cedo o menino aprende o que é Playboy e sacanagem. Ou seja, ele está sempre sendo estimulado visualmente a desejar a mulher.
Já nós, meninas doces e inocentes, aprendemos que devemos ser recatadas, comportadas, e desejar que nosso príncipe encantado chegue em seu cavalo branco e nos leve para o castelo onde seremos felizes para sempre. Porém ninguém nos ensinou que esse príncipe vem com um acessório de fábrica que até então nunca tínhamos visto na vida. Aquela protuberância pendurada que se chama pênis e tem duas bolinhas atrás que aprendemos muito superficialmente na escola que se chamam testículos, mas que muitos chamam de saco. Quantas meninas tiveram em casa pais que ensinaram a lidar com o pênis? Mostraram como ele funciona, como ele é, como se encaixa e chegaram com uma revista de homens pelados?
As mulheres não são tão estimuladas a desejar o homem fisicamente quanto eles são ensinados a desejar a mulher. Essa é uma das causas de tantas mulheres terem diminuição do desejo. Hoje acredito que as coisas estão se modificando um pouco. As adolescentes têm mais acesso a informações na escola, internet, mídia e até mesmo dentro de casa com alguns pais que já estão conseguindo superar o medo de encarar o(a) filho(a) como um ser sexuado.
Essa é uma das explicações para a baixa libido, e mais uma vez: cada caso é um caso. É preciso analisar cuidadosamente cada um. É importante saber distinguir a fase de excitação da fase do desejo. Existem vários fatores que podem interferir. Pretendo rapidamente citá-los e deixar aberto para que me envie e-mail se houver alguma dúvida.
A diminuição do desejo em ambos os sexos pode ser observada com o avanço da idade, ou seja, mulheres quando atingem a tão temida menopausa e os homens com a andropausa. Atualmente tem-se falado mais a respeito da Andropausa, mas ainda existem algumas dúvidas sobre suas consequências no corpo masculino. Já a menopausa é mais citada na mídia e discutida entre as mulheres, acontecimento que seria raro algumas décadas atrás. Porém, hoje existem mais estudos e comprovações a respeito dos efeitos e mudanças observadas nas mulheres.
A diminuição da libido também pode aparecer como reação a algo que está acontecendo na relação sexual e que não seja legal. A própria rotina do sexo em casais que estão há certo tempo juntos, também faz com que o desejo diminua. Se toda vez que houver sexo a seqüência for a mesma, o corpo se condiciona e os estímulos usados passam a não surtir mais efeito. O fato do(a) parceiro(a) não saber o que vai acontecer a seguir como um sexo oral, local do corpo a ser tocado, faz com que crie um clima de excitação e desejo.
Outro ponto que gostaria de deixar claro para os casais, é que as pessoas devem ter consciência dos diferentes estímulos sexuais. Ou seja, o que desencadeia o desejo em algumas pessoas não necessariamente vai desencadear na outra. Por que estou falando isso? É muito comum ver casais em desavenças exatamente por desejarem coisas e situações diferentes e acharem que o(a) outro(a) também deve apreciar da mesma forma. Um exemplo clássico e bastante comum que ocorre, é uma pessoa (normalmente o homem) ter um apreço especial pela arte do pornô e o(a) parceiro(a) não. É possível até imaginar a cena, um deles super excitado na frente da TV pronto para a relação e o outro sentado esperando acabar... com um detalhe: sem vontade alguma de sexo.
E como fazer para conseguir conciliar este casal no quesito desejo? Para começo de conversa é importante que haja diálogo entre o casal. Senão como que o outro vai saber o que está acontecendo? Ninguém possui bola de cristal ou lê mentes para saber o que se passa com o outro. A partir daí deve-se fazer alguns acordos. Então se um dia um quer assistir pornô então o outro também pode ter algo que gosta realizado, sei lá, champagne no umbigo, por exemplo. E assim o casal pode ir entrando em sincronia.
Existem casos em que a pessoa nunca demonstrou nenhum tipo de desejo, pelo menos não que ela tenha percebido, pode ser que tenha ocorrido em sonho pelo menos. Nunca se sabe... Essa “inexistência” de libido pode ser conseqüência de uma educação muito rígida e castradora ou uma repressão sexual muito forte na infância ou adolescência.
Assim como na Anorgasmia, para se fazer uma análise mais correta a respeito de uma mulher que sofre de disfunção do desejo, é necessário fazer um levantamento completo sobre a vida do casal. Se o parceiro sofre de uma disfunção sexual como a ejaculação rápida, a mulher não consegue ter tempo suficiente para chegar ao clímax. Em todas as relações ela possui desejo, se excita e na hora do orgasmo ele ejacula primeiro e ela fica a ver navios. Ou seja, é possível perceber que o ciclo dela de excitação não foi completo, faltando o “grand finale.” Assim ela vê seu desejo indo embora, pois não quer mais ter relação já que não vai conseguir gozar.
As conseqüências da Diminuição do Desejo para o casal variam de acordo com qual dos dois que sofre a disfunção. No caso, quando as mulheres que perdem a vontade, estas se sentem diminuídas e com baixíssima auto-estima. Afastam-se do parceiro ou em alguns casos acabam cedendo ao sexo, porém sem desejo algum, apenas para satisfaze-lo. E podem acabar criando alguma doença psicossomática como forma de autopunição.
Já quando a disfunção ocorre com os homens o primeiro pensamento da parceira é o de estar sendo traída e rejeitada. Há algumas mulheres que acabam amenizando a situação e passam a se satisfazer sozinhas ou deixam sua sexualidade de lado, como se não lhes pertencessem mais. Esta mulher se sentindo rejeitada passa a exigir do parceiro o sexo como forma de demonstração de amor, pois acha que este não lhe ama mais. O que não quer dizer exatamente isso. Como foi explicado anteriormente, as causas da diminuição do desejo podem variar. Portanto, é importante não tirar conclusões precipitadas, pois não se sabe o que realmente está acontecendo com o(a) parceiro(a) se não existe diálogo. Quando a pessoa percebe que algo está acontecendo e está tendo dificuldades em entender e resolver, então é hora que procurar ajuda de um(a) profissional especializado(a).


Disfunção Erétil
Dentre as Disfunções Sexuais Masculinas, a Disfunção Erétil é considerada a de maior sofrimento para o homem. Antes de explicar um pouco sobre esta disfunção, gostaria de deixar claro o papel do pênis na sociedade e seu significado.
Desde que o mundo é mundo, o pênis sempre foi tratado como um rei. Não pretendo dar uma aula de história, mas é possível voltar um pouquinho para entender porque um homem sofre tanto ao ver que seu companheiro (pênis) não responde mais as suas vontades.
O pênis sempre foi e ainda é um símbolo de poder e virilidade. É possível encontrar na mitologia o deus da virilidade (Priapus) representado em sua figura por um “senhor pênis”. Já para os Sumérios, os rios Tigre e Eufrates se encheram graças à ejaculação do deus Enki. Durante toda história, os homens sempre foram vistos como superiores às mulheres em função desse que acreditam ser um órgão a mais. Freud em seus estudos, dizia que a menina em uma determinada fase da vida, sofria do Complexo de Castração e sentia inveja do pênis.
A partir dessa brevíssima elucidação podemos então voltar ao nosso objetivo que é a disfunção erétil. O pênis sendo esta representação de poder, quando não mais responde ao seu dono é símbolo de frustração e incompetência. Isto causa um efeito sobre a auto-estima deste homem de nível devastador. Só para se ter uma idéia, pois acredito que devam ter muitas mulheres lendo a respeito, dependendo do homem pode-se até mesmo pensar em suicídio, tamanho é o desespero. Mas calma... hoje existe tratamento especializado, para ajudar esses homens que não conseguem mais viver suas vidas.
A vergonha que o homem sente perante si mesmo e a sua parceira é tanta que este prefere sofrer e se separar a ter que conviver diariamente com seu “problema”. A própria sociedade julga este homem chamando-o de impotente e utilizando de piadas sobre o assunto. Aliás, a palavra impotente deveria ser extinta do vocabulário brasileiro.
Mas afinal, como saber se um homem sofre de Disfunção Erétil? Existem alguns graus de disfunção que devem ser explicados. Indivíduos que não conseguem ter ereção em uma ocasião ou outra não devem se considerar disfuncionais. Como sempre digo: cada caso é um caso. Se uma noite o homem sai com uma mulher toma 10 latas de cerveja e 5 caipirinhas, é bem provável que ele tenha alguma dificuldade de manter relação e já passe para a etapa final: dormir. Mas este mesmo homem deve tomar cuidado, pois se não tiver entendimento de que tudo ocorreu em função do porre e na próxima relação ficar ansioso ou com medo de falhar novamente, este pode vir a ser um disfuncional em potencial.
Existem homens que conseguem ter ereção durante a masturbação. Porém, quando entra mais um(a) na história, a figura muda. Já não conseguem realizar o mesmo feito como fazem quando estão sós. Nestes casos, mesmo que ele consiga ter ereção na masturbação, pode ser considerado como disfuncional. O problema não está em seu corpo, mas a nível psicológico.
Outro fato importante que deve ser esclarecido é o homem conseguir perceber se está tendo dificuldade de ereção ou de ejaculação, pois envolvem mecanismos diferentes. Alguns ejaculadores precoces ejaculam antes de dar tempo da penetração. Sendo assim eles conseguem ter ereção mesmo que por um curto espaço de tempo. Portanto, não são classificados como disfunção erétil.
Dentro da disfunção erétil, existem classificações que devem ser analisadas cuidadosamente por um(a) profissional qualificado, para que se possa realizar o tratamento adequado para cada caso. Rapidamente pretendo esclarecer um pouco sobre cada uma delas. Porém, se ainda existirem dúvidas estou aberta a responde-las.
Bom, vamos lá... um indivíduo que nunca conseguiu ter uma ereção desde as primeiras experiências sexuais é classificado como primário. Este caso é um pouco mais raro e deve-se fazer uma avaliação física um tanto mais rígida para ter certeza de que não há nenhum comprometimento orgânico.
O indivíduo que sempre teve uma vida sexual com ereção de repente está tendo dificuldade em te-la e mante-la, é considerado um disfuncional secundário. Existe também o homem que consegue ter ereção, porém apenas em algumas situações específicas ou com parceiros(as) específicos(as) e com outros(as) não. Este é considerado um disfuncional situacional.
Dentre as classificações de acordo com a intensidade da ereção, temos a mínima onde o indivíduo possui uma leve dificuldade. Consegue até mesmo ter relação sexual, mas não se sente 100% presente. Moderada se encaixa em homens que em alguns momentos conseguem ter ereção, mas não conseguem chegar à satisfação. E por último o disfuncional grave que é aquele que não consegue ter ereção para a relação sexual.
Assim como em todas as disfunções é importante que se faça primeiramente uma avaliação com o(a) urologista para se descartar um comprometimento orgânico. Fez todos os exames e está tudo certo, mas mesmo assim não consegue ter uma ereção e não entende porque, aí sim deve se procurar a Terapia Sexual. Para tratar de dificuldades emocionais que a pessoa não consegue resolver sozinha. Quando este homem vier procurar ajuda, não precisa ter vergonha do(a) profissional que está atendendo, pois ele(a) está ali para ajudar.

Ejaculação Bloqueada
Para muitos homens, provavelmente aqueles que sofrem de ejaculação bloqueada seriam considerados exemplos a serem seguidos na cama, pois teoricamente teriam um controle ejaculatório invejável. Mas... na prática não é bem assim.
Primeiro é importante ter em mente ao se falar em ejaculação bloqueada a questão do “tempo”. Assim como na ejaculação rápida ou precoce, o tempo adequado a partir do momento da penetração até a ejaculação varia de acordo com cada casal. Existem pessoas que preferem uma rapidinha, onde um ejaculador precoce não teria problema algum. Como também existem pessoas que gostam de um sexo bem mais demorado, onde aí sim um precoce já seria considerado como disfuncional.
Mas porque então uma pessoa que demora muito para ejacular seria invejado por outros da mesma espécie??
Todos nós fomos criados em uma sociedade que valoriza muito o pênis, ou seja, o “poder” do homem está diretamente relacionado ao “poder” do seu pênis. Sendo assim, um indivíduo que consegue manter uma ereção por um longo período sem ejacular, é classificado na mais alta hierarquia masculina.
Porém, será que esse mesmo homem está fazendo o mesmo sucesso entre as mulheres??
Claro que como falei e sempre gosto de deixar muito claro, cada caso é um caso. Mas o que pretendo aqui é fazer com que cada um pare um momento e reflita se sua parceira está satisfeita com a vida sexual do casal. E principalmente, não só a parceira, mas se ambos se sentem satisfeitos. Deve haver um equilíbrio.
Pode ser que este homem, estimulado por membros da mesma espécie ache que está proporcionando total prazer na relação sexual, mas na verdade sua parceira não se sente da mesma forma. É comum em relações de longa duração que a lubrificação vaginal diminua, a excitação e desejo também diminuam, consequentemente a satisfação em relação ao ato também será afetada. Portanto é importante que haja diálogo entre o casal para que se possa conversar abertamente sobre o sexo.
Mas afinal, como diagnosticar um indivíduo com ejaculação bloqueada ou retardada?
Tendo em mente a idéia de “tempo” explicada acima, é considerada uma disfunção, a partir do momento que o fato da demora em ejacular interfira no relacionamento do casal. Ou seja, o homem acaba por não se satisfazer e nem a sua parceira, afetando a vida a dois. É importante que ambos se sintam completos em seu relacionamento e principalmente: felizes!
Assim como em todas as disfunções, a primeira recomendação é que consulte um urologista para fazer exames e descartar a possibilidade de alguma causa orgânica. Caso se perceba que a disfunção ocorre em nível psicológico e emocional, então se deve procurar um especialista, ou seja, um(a) terapeuta sexual.

Ejaculação Precoce
Como o próprio nome já diz, Ejaculação Precoce ou Rápida diz respeito àquele indivíduo que ejacula em um curto espaço de tempo, sem que se possa ter uma relação sexual satisfatória. Mas antes de falar sobre o assunto, eu gostaria de fazer uma pergunta: qual seria então o tempo ideal de uma relação?
Bom… depende de algumas questões. Não existe um tempo exato, predeterminado para a relação sexual. O ideal é que ambos os parceiros se sintam felizes com sua vida sexual. Depende do momento, do(a) parceiro(a), do tipo de relação, da intimidade, do que os dois esperam, se uma “rapidinha” ou que o encontro parta para outro nível como um namoro (nota: antes do namoro tem o “ficar” e antes ainda o “pegar”, é bom certificar-se em qual nível se encontra).
As pessoas quando se juntam em um relacionamento, esperam que o(a) outro(a) já saiba tudo a seu respeito, como se viesse com um manual de instruções. Mas não é bem assim e mesmo na relação sexual devem existir alguns “ajustes” de ambas as partes para que consigam estar em sintonia.
Voltando então a ejaculação precoce... para se ter o diagnóstico, é importante fazer uma análise completa a respeito da vida sexual do casal. Assim como em todas as outras disfunções. Se o homem está em sofrimento, pois não consegue ter uma vida sexual como deseja e não consegue dar prazer à pessoa que está do seu lado, então deve sim procurar ajuda.
Gostaria neste momento de fazer uma observação especialmente aos homens que aqui estão. O que para você significa uma relação sexual saudável? Por que estou perguntando? A concepção de relação sexual varia muito em função do que foi aprendido na escola e em casa, da idéia que foi criada para cada um a respeito de sexo. Para alguns, relação sexual quer dizer penetração e ejaculação, sem pensar na parceira e em “prazer” sexual.
Coloco aqui então um desafio: quero que cada um reflita nesse momento sobre a própria vida sexual. Você está satisfeito? E a sua parceira? Você se preocupa com ela na hora da relação? Vocês conversaram sobre sexo? Ela realmente chega ao orgasmo quando está com você? Se você goza antes dela, se preocupa com o orgasmo dela também ou vira para o lado e dorme? São questões que merecem um pouquinho de atenção.
Se um homem que vê o sexo apenas como penetração seguida de ejaculação, e sofre de ejaculação precoce, que importância que ele vai dar ao prazer da sua parceira e buscar ajuda? Para ele o sexo está completo, pois ele teve ereção, penetração e ejaculou.
Como sempre falo, cada caso é um caso. Se pegarmos um casal onde a mulher sofre de anorgasmia, o homem pode ser considerado por ela como ejaculador precoce, pois ela não vai conseguir chegar ao orgasmo se não perceber e tratar da própria disfunção. Por isso a importância de um especialista e de um diagnóstico completo. Vários pontos são estudados e considerados no momento da avaliação. Assim como em todas as disfunções, o primeiro passo que deve ser dado é procurar um urologista para que se possa então descartar possíveis causas orgânicas.

Inibição de Desejo
Hmmm... falar sobre Desejo Sexual sempre é um assunto interessante e muito procurado. Afinal, é graças ao desejo que o ser humano inicia uma relação sexual. Freud já falava sobre o desejo ou libido como pulsão de vida. Mas aqui estamos falando do desejo sexual como ponto de partida para o sexo.
Muito bem, o desejo é muito legal, faz parte do ser humano, mas e quando uma pessoa percebe que não sente mais libido? Para os sexólogos, essa diminuição é considerada uma Disfunção Sexual. Portanto, essa pessoa deve ter consciência que precisa da ajuda de um Terapeuta Sexual.
Algumas pessoas nesse momento devem estar se perguntando, mas como que uma pessoa é capaz de retomar o desejo? Será que isso não é nato de cada um?
Pois bem, é possível sim. A diminuição do desejo pode vir como resultado de alguns acontecimentos. Como sempre eu gosto de deixar claro: cada caso é um caso. É importante fazer um diagnóstico e um levantamento sobre a vida da pessoa, para saber o que realmente tem acontecido no nível emocional e ter causado essa disfunção.
Assim como todas as outras disfunções, deve-se primeiro descartar a possibilidade de uma causa orgânica, procure um(a) ginecologista ou urologista. Existem também fatores externos que podem causar essa diminuição do desejo como alguns remédios, drogas, entre outros. Por isso sempre gosto de enfatizar a importância do trabalho junto com outros profissionais.
A diminuição do desejo não atinge apenas as mulheres como a grande maioria pensa, também pode afetar os homens. Claro que é mais comum entre a população feminina devido a crenças e aprendizados que a sociedade impõe. Como assim? O homem desde pequeno foi ensinado que mulher é gostosa, que macho que é macho sempre está com seu pênis positivo operante (pronto para atacar). Desde muito cedo o menino aprende o que é Playboy e sacanagem. Ou seja, ele está sempre sendo estimulado visualmente a desejar a mulher.
Já nós, meninas doces e inocentes, aprendemos que devemos ser recatadas, comportadas, e desejar que nosso príncipe encantado chegue em seu cavalo branco e nos leve para o castelo onde seremos felizes para sempre. Porém ninguém nos ensinou que esse príncipe vem com um acessório de fábrica que até então nunca tínhamos visto na vida. Aquela protuberância pendurada que se chama pênis e tem duas bolinhas atrás que aprendemos muito superficialmente na escola que se chamam testículos, mas que muitos chamam de saco. Quantas meninas tiveram em casa pais que ensinaram a lidar com o pênis? Mostraram como ele funciona, como ele é, como se encaixa e chegaram com uma revista de homens pelados?
As mulheres não são tão estimuladas a desejar o homem fisicamente quanto eles são ensinados a desejar a mulher. Essa é uma das causas de tantas mulheres terem diminuição do desejo. Hoje acredito que as coisas estão se modificando um pouco. As adolescentes têm mais acesso a informações na escola, internet, mídia e até mesmo dentro de casa com alguns pais que já estão conseguindo superar o medo de encarar o(a) filho(a) como um ser sexuado.
Essa é uma das explicações para a baixa libido, e mais uma vez: cada caso é um caso. É preciso analisar cuidadosamente cada um. É importante saber distinguir a fase de excitação da fase do desejo. Existem vários fatores que podem interferir. Pretendo rapidamente citá-los e deixar aberto para que me envie e-mail se houver alguma dúvida.
A diminuição do desejo em ambos os sexos pode ser observada com o avanço da idade, ou seja, mulheres quando atingem a tão temida menopausa e os homens com a andropausa. Atualmente tem-se falado mais a respeito da Andropausa, mas ainda existem algumas dúvidas sobre suas consequências no corpo masculino. Já a menopausa é mais citada na mídia e discutida entre as mulheres, acontecimento que seria raro algumas décadas atrás. Porém, hoje existem mais estudos e comprovações a respeito dos efeitos e mudanças observadas nas mulheres.
A diminuição da libido também pode aparecer como reação a algo que está acontecendo na relação sexual e que não seja legal. A própria rotina do sexo em casais que estão há certo tempo juntos, também faz com que o desejo diminua. Se toda vez que houver sexo a seqüência for a mesma, o corpo se condiciona e os estímulos usados passam a não surtir mais efeito. O fato do(a) parceiro(a) não saber o que vai acontecer a seguir como um sexo oral, local do corpo a ser tocado, faz com que crie um clima de excitação e desejo.
Outro ponto que gostaria de deixar claro para os casais, é que as pessoas devem ter consciência dos diferentes estímulos sexuais. Ou seja, o que desencadeia o desejo em algumas pessoas não necessariamente vai desencadear na outra. Por que estou falando isso? É muito comum ver casais em desavenças exatamente por desejarem coisas e situações diferentes e acharem que o(a) outro(a) também deve apreciar da mesma forma. Um exemplo clássico e bastante comum que ocorre, é uma pessoa (normalmente o homem) ter um apreço especial pela arte do pornô e o(a) parceiro(a) não. É possível até imaginar a cena, um deles super excitado na frente da TV pronto para a relação e o outro sentado esperando acabar... com um detalhe: sem vontade alguma de sexo.
E como fazer para conseguir conciliar este casal no quesito desejo? Para começo de conversa é importante que haja diálogo entre o casal. Senão como que o outro vai saber o que está acontecendo? Ninguém possui bola de cristal ou lê mentes para saber o que se passa com o outro. A partir daí deve-se fazer alguns acordos. Então se um dia um quer assistir pornô então o outro também pode ter algo que gosta realizado, sei lá, champagne no umbigo, por exemplo. E assim o casal pode ir entrando em sincronia.
Existem casos em que a pessoa nunca demonstrou nenhum tipo de desejo, pelo menos não que ela tenha percebido, pode ser que tenha ocorrido em sonho pelo menos. Nunca se sabe... Essa “inexistência” de libido pode ser conseqüência de uma educação muito rígida e castradora ou uma repressão sexual muito forte na infância ou adolescência.
Assim como na Anorgasmia, para se fazer uma análise mais correta a respeito de uma mulher que sofre de disfunção do desejo, é necessário fazer um levantamento completo sobre a vida do casal. Se o parceiro sofre de uma disfunção sexual como a ejaculação rápida, a mulher não consegue ter tempo suficiente para chegar ao clímax. Em todas as relações ela possui desejo, se excita e na hora do orgasmo ele ejacula primeiro e ela fica a ver navios. Ou seja, é possível perceber que o ciclo dela de excitação não foi completo, faltando o “grand finale.” Assim ela vê seu desejo indo embora, pois não quer mais ter relação já que não vai conseguir gozar.
As conseqüências da Diminuição do Desejo para o casal variam de acordo com qual dos dois que sofre a disfunção. No caso, quando as mulheres que perdem a vontade, estas se sentem diminuídas e com baixíssima auto-estima. Afastam-se do parceiro ou em alguns casos acabam cedendo ao sexo, porém sem desejo algum, apenas para satisfaze-lo. E podem acabar criando alguma doença psicossomática como forma de autopunição.
Já quando a disfunção ocorre com os homens o primeiro pensamento da parceira é o de estar sendo traída e rejeitada. Há algumas mulheres que acabam amenizando a situação e passam a se satisfazer sozinhas ou deixam sua sexualidade de lado, como se não lhes pertencessem mais. Esta mulher se sentindo rejeitada passa a exigir do parceiro o sexo como forma de demonstração de amor, pois acha que este não lhe ama mais. O que não quer dizer exatamente isso. Como foi explicado anteriormente, as causas da diminuição do desejo podem variar. Portanto, é importante não tirar conclusões precipitadas, pois não se sabe o que realmente está acontecendo com o(a) parceiro(a) se não existe diálogo. Quando a pessoa percebe que algo está acontecendo e está tendo dificuldades em entender e resolver, então é hora que procurar ajuda de um(a) profissional especializado(a).